Eu não o sou para ser 'cortes'. Eu não as tenho para parecer mais que os outros e muito menos para (não) me integrar junto deles. Nada disso.
Eu sou assim.
Aquilo de que sou constituido constitui isso mesmo o que sou. E os meus gostos musicais/literários/cinematográficos/etc. correspondem a isso mesmo. Podia optar por tentar gostar do mesmo que agrada às massas. Certamente me agradaria a mim também (!). Mas negar aquilo que sou vai contra os principios das sociedades modernas e quem as pode contrariar, pertencendo essas mesmas pessoas a elas e defendendo-as com unhas e dentes, como quem defende a própria família? Do que estou eu a falar?
Ora, não me ingenuiem.
Quando mostro que gosto de banda x, y ou z, e me mostram aquela cara própria - e aqui podem, grosso modo, haver três interpretações mais frequentes para descodificar essa expressão - "este gajo é underground demais para o meu gosto" ; "está-se a armar" ou "este gajo deve ser doido, gostar destas coisas!", as minhas ventras são inundadas por uma solidão avassaladora. Mas é assim, a vida é um esforço constante; neste caso de concertação com o meio, a bem do "saber viver".
E nuns tempos como os nossos, ouvir "Mas é assim, a vida é um esforço constante (...)" pode soar a totalmente errado e inusitado. Afinal, a nossa dignidade é a nossa diferença, não devemos ter problemas em ser naturais e muito menos sentirmo-nos envergonhados por isso.
À parte da forma como se consegue viver encarando estes factos, eu julgo essencial nunca abdicar da identidade. Se eu alguma vez quiser (ou tiver a mais remota esperança de) me sentir realizado de alguma forma, não vai ser, por mais que espere, daquilo que tenho vindo a fingir ser, e que possa corresponder, em larga escala a uma existência infeliz e irrealizada.
O maior pecado é induzir o mundo em erro.
--zePh7r [novamente a ouvir: Melancholia @ AOL Radio]