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tenaz

TENACidades 

quarta-feira, outubro 26, 2005

18:32 -

Vivo entre a decadência em que não se vislumbra esperança e a salvação eterna. Black & White.

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18:18 -

Deixei-me afundar em conceitos; agora é difícil comunicar.

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17:38 -

O porquê da minha coerência às minhas preferências culturais.

Eu não o sou para ser 'cortes'. Eu não as tenho para parecer mais que os outros e muito menos para (não) me integrar junto deles. Nada disso.

Eu sou assim.
Aquilo de que sou constituido constitui isso mesmo o que sou. E os meus gostos musicais/literários/cinematográficos/etc. correspondem a isso mesmo. Podia optar por tentar gostar do mesmo que agrada às massas. Certamente me agradaria a mim também (!). Mas negar aquilo que sou vai contra os principios das sociedades modernas e quem as pode contrariar, pertencendo essas mesmas pessoas a elas e defendendo-as com unhas e dentes, como quem defende a própria família? Do que estou eu a falar?
Ora, não me ingenuiem.

Quando mostro que gosto de banda x, y ou z, e me mostram aquela cara própria - e aqui podem, grosso modo, haver três interpretações mais frequentes para descodificar essa expressão - "este gajo é underground demais para o meu gosto" ; "está-se a armar" ou "este gajo deve ser doido, gostar destas coisas!", as minhas ventras são inundadas por uma solidão avassaladora. Mas é assim, a vida é um esforço constante; neste caso de concertação com o meio, a bem do "saber viver".

E nuns tempos como os nossos, ouvir "Mas é assim, a vida é um esforço constante (...)" pode soar a totalmente errado e inusitado. Afinal, a nossa dignidade é a nossa diferença, não devemos ter problemas em ser naturais e muito menos sentirmo-nos envergonhados por isso.
À parte da forma como se consegue viver encarando estes factos, eu julgo essencial nunca abdicar da identidade. Se eu alguma vez quiser (ou tiver a mais remota esperança de) me sentir realizado de alguma forma, não vai ser, por mais que espere, daquilo que tenho vindo a fingir ser, e que possa corresponder, em larga escala a uma existência infeliz e irrealizada.

O maior pecado é induzir o mundo em erro.


--zePh7r [novamente a ouvir: Melancholia @ AOL Radio]

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quinta-feira, outubro 06, 2005

22:09 -

As mulheres são uma potência perigosa: não se importam conosco, e não se importam com o resto. Nada poderia dar uma pista mais ilusória (contra-senso, não?) que isto: o seu sorriso encantador. É um facto que ficamos facilmente hipnotisados pela onda de encanto que emana de um daqueles vulcões de virtude e serenidade. Mas a verdade é esta: não há verdade. Tudo é mentira. E que raio de descoberta é esta, perguntam vocês. Não, não perguntam, vocês não existem. Mas mesmo assim é assim: eles esmagam-nos facilmente e têm fundações estabelecidas bem fundo, fundo o suficiente para nem sequer nos apercebermo-nos que eles deixam espiões à superfície.
Falo quando uma das mulheres que me levam a pensar em termos apocalípticos se encontra fora. Incorrecto, pode pensar-se. Hipócrita, talvez. Mas principalmente egoísta.

Não és aquela, mas aquelas são
As que me tiram e que às vezes dão
Eu quero-te mas...
"Everytime you close your eyes"
Não podes chegar, nunca
Eu não chegarei lá

Sim, elas gostam de rir-se; às vezes até são inseguras, tudo faz parte da condição humana, é normal, mas não o devia ser nelas.

Elas, que sabem pôr-nos a sentir que somos menos e que o seremos sempre, nem desconfiam que há pessoas que estão cientes da sua condição. Provavelmente nem essas mesmas pessoas o estão, o que só prova a mestria com que foi composta toda uma condição com o fim de alienar a sociedade.


Bem, sabem o que é que eu vejo? Vejo que o meu caderno tem as capas cheias de detritos que caem da parede. Significa que me estou a alongar no tempo.

Hasta.

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