
Bob: I don't want to leave.
Charlotte: So don't. Stay here with me. We'll start a jazz band.
1. Olhava-me ao espelho; "
quem sou eu, afinal?"A luz era clara, jovial. Os poros tinham uma ordenação que roçava estranhamente a perfeição; eram vibrações de uma vida - não podia ser a minha. Aqueles novelos de incipiente lã que florescia da minha cara eram a manifestação de um qualquer milagre, tão próximo e tão ignorado como a tudo o que é perfeito convém. Faço uma cara estranha; não sei o que afinal estou a ver. Serei eu, aquele? Naquela luz, parecia haver sentido para mim, ir da esquerda para direita fazia toda a diferença agora; seria da luz? Afasto-me, e uma penumbra estranha enevoa o rubor do meu rosto... Uma pequena contracção na face mostra que não estava preparado, fosse qual fosse o sentido e a mudança. Afasto-me ainda mais; é altura de fugir. Nem toda a perfeição é como a conhecemos, afinal.
2. Uma noite em branco é sempre sinónimo de sofrimento. Não pelo trabalho, pelo cansaço, desgaste ou falta de sono (aliás, nenhum se pode relacionar directamente com uma dessas noites); talvez apenas pelo silêncio. O silêncio que nos trás a realidade do «outro», o momento em que "não há ninguém de quem sentir falta e ninguém para sentir a nossa [falta]." É um momento que assusta, que não dá conforto.
Que estou eu a dizer? Nada disso, é a melhor altura do dia. A altura em que não estamos a perder nada e nada nos está a passar ao lado; a altura em que o tempo não está a fazer mapas na nossa pele e em que o relógio pára por algumas horas - porque também o mundo pára - para depois avançar súbita e enganadoramente, qual alpinista que não sabe quando deve parar. Ela é o mundo parado, uma oportunidade para não viver; um tipo de vazio para tantos.
Até a solidão adormece nesta parte do dia.
--Feliz dia de São Valentim