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TENACidades 

segunda-feira, maio 12, 2014

23:31 -

Calha frequentemente as pessoas acharem interessante evocar a candura das suas "almas interrompidas" em momentos selecionados. "Amei a medo, porque não podia dar-me facilmente"; "fomos vítimas de o tempo não nos ter escolhido"; "ela/e traiu a minha confiança; tornei-me uma pessoa ferida". Parecem declarações de mea culpa, ou antes de "no fue mi culpa". Tendência natural para um dos lados da balança nature vs. nurture, ou um descomplexado utilizar tendencioso de mecanismos de auto-vocalização tornados-democráticos, parece ser possível identificar uma inclinação dominante para o desnudar de momentos em que o locus de controlo  -- lamentavelmente -- tenha estado centrado numa qualquer ação (ou condição) externa.

No fundo, parecem mais não ser do que manifestações prospetivas de um desejo latente de poder inconcretizado. Se na vida real tal não lhe será proporcionado desafogadamente, nesta tela ficcionada que é o mundo das auto-publicações, fica toda uma página à mercê da forma discursiva eleita, ela própria sujeita ao descarregar de alma que melhor servir a homeostasia espiritual tão necessária. Ficam por contar os outros momentos: aqueloutro em que nos ficamos aquém do proferir daquela palavra vital, do levantar daquele sorriso que quiçá teria feito a diferença, daquele bater na mesa que não nos teria conduzido a uma qualquer circunstância irremediável.

Que digo? Isto é, obviamente, apenas um dos lados da balança. Passa agora o último movimento da nona de Beethoven na RNE Clásica. Uma espécie de morte anunciada. Sei que daqui a momentos virá o coro em toda a sua pujança, mas só para pouco a pouco se ir desvanecendo na sua energia ida e agora decrescente, lúgubre. "O esforço dos vivos", dirão alguns. Ou apenas mais um esforço desfasado de um propósito válido. Parece que o radialista teve a sensatez de assassinar a transmissão antes do troço fatal da sua viagem. Ficamos aqui, à espera que Beethoven regresse ainda, para surpresa de todos os que já se espojaram na sua personificação de cansaço, evitando assim a concretização da capitulação ao virar da sua nona. Felizmente, somos salvos na antena da rádio por um qualquer devaneio de jazz.


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